quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Marketing impulsionava a popularização da estereoscópica no Brasil

“O Brasil só vai fumar / cigarros marca Veado / pita, pita, devagar / se é chic ou pé-rapado”
Principal jingle de cigarros que circulava no final do século 19 da marca “Veado”.

Até Papai Noel não escapava do marketing da "Veado"
 Bom, como o assunto rendeu um dos posts mais lidos pelo Blog, fui atrás de mais curiosidades sobre este momento frenético da fotografia tridimensional – e diga-se de muito glamour – estereoscopia. Então vai lá...
Fundada a partir de 1900, pelo emigrante português José Francisco Corrêa, conhecido também por “Conde de Agrolongo”, a marca foi bastante conhecida, ganhou reconhecimento rápido, mas desapareceu da mesma forma. Por outro lado, soube explorar muito bem seu marketing sendo uma das companhias pioneiras a publicar cromos (fotos estereoscopicas) e figurinha de colecionar. Tudo isso tem um motivo. Aproveitar o frenesi desta técnica fotográfica inovadora – o clímax secular da estereoscopia mundial se deu entre 1855 e 1955.
Sim, no Brasil, após se instalar no Rio de Janeiro, a indústria de cigarro foi uma das que difundia este processo de estereoscopia no país. Isso incluía até a distribuição do visor “3D” para visualizar as imagens do carioca fotografo amador, Guilherme Santos (1871-1966), que mais de meio século se dedicou a esta técnica, fotografando os principais eventos do Rio de Janeiro, incluindo o voo do Graf Zeppelin, tudo isso pelo processo da estereoscopia.

Confira algumas das fotos que Guilherme Santos publicou AQUI
Ora, pois é?
Bom, o fim dos Fumos Veado se deu com outro tiozinho também imigrante de Portugal e que fundou uma das principais industrias deste setor, o tabaco, o senhor Albino Souza Cruz (dúvidas?rs)
Albino Souza Cruz emigrou em 15 de novembro de 1885 para o Brasil, aportando no Rio de Janeiro. Ele foi funcionário por dezoito anos na Fábrica de Fumos Veado, de propriedade do Conde de Agrolongo. Mais tarde essa fábrica seria absorvida pela sua própria indústria.

Curiosidade
As primeiras coleções de figurinhas e cromos editados no Brasil datam do final do século XIX. Colocados como brindes em carteiras de cigarros, foram utilizadas como marketing promocional pelas companhias Grande Manufactora de Fumos e Cigarros Veado ( José Francisco Corrêa & Cia – Rua da Assembléia nos 94 a 98 – Rio de Janeiro ), Souza Cruz e Sudam, basicamente no eixo Rio – São Paulo. Os protagonistas do movimento republicano até 1900, os animais do jogo do bicho, e as artistas de cinema, teatro, e cabaré, foram os temas prediletos das coleções. Além da grande maioria das estampas ou cromos apresentarem cuidadoso tratamento gráfico, o fato de algumas coleções completas darem direito a prêmios estimulou ainda mais o interesse por elas, o que é possível observar através de inúmeros anúncios de jornais daquele período, onde produto e respectivo brinde são divulgados com idêntica importância. (Leia mais direto na FONTE)

Para quem quiser ouvir um jingle da época dos cigarros da marca Veado, acesse AQUI

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Retratos da praça São Manoel - Monumentos

O projeto ainda segue com os retratos na praça.
Hoje, mais dois retratos. Um foi registrado no jazigo monumental de Newton Prado e o outro no monumento que comemora o centenário da independência do Brasil, ambos na praça da matriz de São Manoel em Leme.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Acrescentando a terceira visão - As fotos estereoscópicas


cartão de foto estereoscópica
Pesquisando um pouco das possibilidades da fotografia no século 19, achei algo bem interessante. As televisões que vemos hoje e exploram a "terceira dimensão" ou a realidade 3D, mesmo ainda parecendo algo novo e recente não é um assunto tão, digamos, de última geração. Mas, sim, um principio muito mais relacionado ao nossos olhos e como processamos as informações pelo globo ocular. Coisa científica. Constatada a partir dos estudos de visão binocular desenvolvidos no passado pelos italianos Giovanni Battista della Porta (ca.1542-1597) e Leonardo da Vinci (1452-1519). Outros estudos são atribuidos aos estudiosos El-Hazem e Archimedes.
Hoje, quem for comprar alguma camêra compacta digital já vai encontra algo no mercado com este tipo de visão estereoscópica.

Bom, mas e no século 19?. Calma. No parágrafo acima expliquei que a questão da possibilidade de ver algo "tridimensional" ou uma imagem com mais "volume" já era estudada. Mas foi em 1833 que a técnica da "visão em volume" foi fisicamente demonstrada pelo cientista e inventor inglês, que viveu em Pariz, Sir Charles Wheatstone. Por outro lado, a invenção do aparelho estereoscópio prismatico coube ao também inglês, David Brewster (1781-1868), anos mais tarde, em 1844. Brewster foi o responsável pela popularização e difusão da fotografia estereoscopica. 


O frenesi da nova moda
A partir de 1860 a coisa se transformou em uma nova moda fotografica nos paises europeus e nos Estados Unidos.Ou seja. Todo apaixonado pela arte da fotografia, pessoas da classe média e colecionadores queriam uma foto estereoscopica. Já os visores estereoscopicos tinham modelos bem distintos. Os que eram considerados de luxo, tinham tripé. Já os normais, modelos mais comuns e baratos eram segurados na mão.


modelo mais comum de visor


O que é a fotografia estesreoscopia?
A estereoscopia é a mais nobre das técnicas fotográficas. Baseia-se na visualização de um objeto a partir de dois pontos de observação próximos, que chamamos de paraaxiais    isto é, com "eixos vizinhos". Estereoscopia é também uma palavra composta de nomes gregos stereo e skopia que significam  ”visão em volume”.






No Brasil
Modelo de luxo
Apesar do Brasil estar no pioneirismo da fotografia com os trabalhos de Hercule Florence - temos também D. Pedro II como grande fomentador das artes fotográficas - a estereoscopia só chegou ao Brasil em 1855 com Evert Henry  Klumb, que se tornou professor de fotografia da Princesa Isabel . Trabalhou para a corte até 1880.
Em menor ênfase, outros fotógrafos também cooperaram neste início  para o nosso acervo histórico estereoscópico. São eles: H. L. Hehl e outros tais como, F. Basto, Alfredo E. Santos, Archanjo Sobrinho, J. J. Kilelea. E posteriormente  Rodrigues & Co, Otavio Mendes de Oliveira Castro, Guilherme Santos, entre outros. Como curiosidade e ao mesmo tempo conotação histórica, também citamos o Conde de Agrolongo o industrial português  José Francisco Correia que difundiu o conhecimento da estereoscopia a grandes massas através de figurinhas e cartões distribuídos nos “Cigarros Veado” de sua manufatura.

Conheça como foram feitas e onde aconteceram as primeiras imagens. Além de conhecer um pouco sobre como a fotografia estereoscopia. Acesse aqui

Faça o experimento pelo próprio monitor. Com um espelho e seguindo as instruções deste site, você pode conferir um pouco do que é esta tal "visão em volume". Quero experimentar!


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Poema "A Esfinge", uma luz sobre a cidade chamada Leme

Dia 28 de outubro, o Circuito Sesc de Artes passou por Leme, onde desenvolveu diversas manifestações artístisticas e oficinas (teatro, circo, música, dança e video). Por onde o Circuito passa, Um escritor, poeta acompanha a caravana, escrevendo sobre cidade, seja por meio de uma crônica, poema ou registro com fotos.
 
Fui lembrado quando o Sesc passou por Leme e tive uma pequena homenagem, com um poema, em reconhecimento ao Projeto de Pesquisa e Resgate Cultural do Fotógrafo de Jardim (século 19), que desenvolvo em Leme.
 
No poema, que remete muito do que acontece em Leme, o poeta faz um texto crítico e bem assimilado sobre a cidade. Pelo pouco tempo que teve para se abastecer de informações sobre Leme, absorveu muito bem o ritmo de Leme e registrou poéticamente.
 
Sobre o Circuito Sesc de Artes e poemas de outras cidades e textos escritos por outros poetas e escritores
 
Confira a dedicatória que o poeta e filósofo Paulo Nunes fez aqui com o nome de "A Esfinge"
 
Paulo Nunes escreveu também sobre Leme, Avenida da Saudade, Sermão em LemeUlisses e a Fábrica
 
A seguir e na integra, o poema sobre Leme "Esfinge"
 

A ESFINGE

(Ao jornalista e fotógrafo Ricardo Missão)

Leme é uma fronteira agrícola e cidades assim – e eu conheço uma delas muito bem – são indecisas: andam descalças e de avião.
Gostam de cavalos e bois, mas entopem suas ruas de automóveis.
Gostam de pescar e brincar na água, mas matam os seus rios.
Voltam todos os dias do campo para o barulho das ruas e avenidas.
Misturam pedestres, bicicletas e automóveis (o que não dá muito certo).
Dão, um pouco contrariadas, a um raizeiro a chance de sobreviver.
E é possível, numa moderna avenida, sentir o mau cheiro de um galinheiro.


Leme é uma cidade nova, que se enriquece e se expande.
Cidades assim – e a única que eu conheço muito bem é assim – não gostam de cultuar sua memória: destroem-na, como Leme fez com quase todo o seu patrimônio histórico e até com a Matriz de São Manoel.
Depois, constroem outros edifícios, outras casas, uma nova Matriz, nem sempre à sua imagem e semelhança, mas se esforçam para andar com estes sapatos novos. E andam.
Cidades assim já não têm matriz, mas um hangar onde Deus aterrissa.


Leme há muito tempo descobriu a felicidade e a propaganda.
E cidades assim têm fábricas de fogos de artifícios, pois comemoram muito (e a única que eu conheço muito bem é assim).
Embora originais e férteis, ricas em suas idiossincrasias, cultuam a monocultura e uma só praga, que um dia, talvez, devastará tudo, e apenas um significado para a palavra Cultura.
Seus habitantes são pessoas simples, diretas, caladas, plenas do silêncio de um vasto horizonte hoje inteiramente colhido e plantado, mas a palavra “caipira” ficou curta, já não as vestem.
Cidades assim estão prenhes de mãos calosas, duras, operando as mais sutis invenções e aparelhos.
E se são planas, de fácil expansão horizontal, esquecem os quintais e querem edifícios.
Repetem seus nomes, e quanto mais os repetem, maiores pensam que ficam. E assim de fato é.
E constroem novos cemitérios e os põem longe do centro.
E constroem bairros para os trabalhadores, cemitérios também distantes.


Leme, como aquela outra cidade, nasceu de um alforje cheio de sementes.
Cidades assim derrubam suas matas e plantam na praça, ritualmente, um jequitibá.
Lutaram muito com as árvores, por isso não gostam de tê-las soltas pelas calçadas, preferem prendê-las nalgum parque.
E por motivos iguais também gostam de zoológicos.
Cidades assim têm seu entorno todo arado – ou é tudo canteiro de obras?
Suas indústrias germinam, sua agricultura fabrica.
E não são pequenas nem grandes: são a própria classe média.
Têm um grande comércio – tudo nelas é comércio – e muitos bancos, comandando um exército de carros-fortes.
E vão de caminhonete aos bailes e casamentos.


Cidades como Leme gostam de se ver e inventam seus próprios espelhos.
Constroem pequenos monumentos a grandes acontecimentos, o que, como tudo que há, quer dizer alguma coisa.
Têm suas praças cheias de velhos, tão invisíveis quanto seus monumentos.
Misturam à argamassa de sua estrutura um grande ruído de crianças na escola.
E se nasceram de estradas importantes, nunca estão na origem destas estradas.
Cidades assim, à beira da estrada, estão a meio caminho de tudo.
E aprendem de gente adulta que passa algumas palavras novas: desenvolvimento, progresso. E as repetem, repetem…
Mas são cidades que ainda sabem de onde vem o que comem, e que se sentam à mesa e conversam.
Têm pouco mais de cem anos e se instalam no milênio.
E, não querendo mais lembrar, ponderam o futuro e sua possível roça.


Não se sabe bem porque, mas muitas pessoas que nascem em cidades como Leme um dia se mudam para longe, de onde as recordam, e de vez em quando tentam voltar, e voltam sempre, em pensamento.
Pois cidades assim também crescem nos seus habitantes mais distantes.
E, mistério maior ainda, às vezes produzem, além de grãos, farta lavoura de suicidas.
E se foram construídas sobre o campo e continuam a ser, infinitamente, edificadas sobre si mesmas, sob seu asfalto há capim e cercas.
Cidades assim são áridas e se querem espelhadas, porém mantêm em sua praça a velha Fonte.
E quanto mais áridas, mais parecem submersas.
E em suas ruas ainda passa, invisível, driblando o trânsito, um solitário boi.
Cidades assim, enfim – e se eu conheço uma muito bem, nunca a entendi – são verdadeiras esfinges: cheias de rodas, assentam-se sobre suas velhas patas, preparam as asas e o impulso – e nos fitam, imóveis.


(Paulo Nunes é graduado em filosofia pela USP, onde exerce, também a profissão de livreiro. Como letrista, com diversos parceiros, coleciona mais de uma centena de canções.)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Estúdios fotográficos do século 19

Havia dito semana passada que em Pirassununga existiu um estúdio de vidro (clique aqui para saber), de propriedade de Antonio Zerbetto (hoje Stúdio Zerbetto, administrado pelas filhas de Reinaldo Zerbetto, o neto). O prédio existe até hoje em Pirassununga e é o prédio comércial mais antigo do município. Atualmente as atividades do Studio Zerbetto (http://www.studiozerbetto.com.br/) estão em outro estabelecimento. Um maior para poder atender seus clientes.

Reparem no canto esquerdo superior as placas de vidro. Ao centro, Antonio Zerbetto, o pioneiro em Pirassununga.

Segundo Reinaldo Zerbetto, o estúdio era uma tecnologia trazida da Itália por seu avô, que chegou em 1915 e se tornou referência no ramo da fotografia. Em Leme, cidade vizinha, a família Zerbetto também foi pioneira no ramo. Não com Antonio, mas outro membro da família. Se for contar mesmo a história da familia Zerbetto, o assunto vai longe. E foi ao lado deste mesmo estúdio fotográfico da família Zerbetto, que funcionou a primeira central telefonica, cujo projetista foi Antonio Zerbetto. A planta existe até hoje e já tive a oportunidade de ver.

Foto do fotógrafo que fotografou o fotografado

A foto de hoje foi registrada por Jorge Costa, apaixonado também por fotografia da cidade de São Carlos, que estava passando por Leme com o pessoal do SESC São Carlos, na "Ação Cultural do SESC".


É uma de bastidor e dá pra se ter uma boa ideia de como é realizado a intervenção na praça da matriz da São Manoel. Se quiser, aqui da pra ver como ficou o resultado de toda esta "fotografada".


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A foto do engraxate pelo "daguerreótipo"

Para quem curte fotografia, foi em 1838 que Daguerre consiguiu a primeira imagem de pessoas numa foto, no Boulevard du Tempere, Paris. Foi com esta mesma imagem que ele se consagrou "pai da fotografia", com o "daguerreótipo" ao utilizar as mesmas técnicas de Joseph Nicéphore Niépce: a longa exposição sobre uma chapa de metal.



O curioso, como aponta o site fonte, o "The Hokumburg Goombah", é de que a foto teria sido feita em 1838. Isso muito depois de percusor da fotografia no Brasil, Hercule Florence, também francês mas morando no país, ter feito em 1832/1833, o primeiro registro e escrito sobre o processo de gravação de uma imagem por meio da luz, utilizando uma câmera escura. Leia aqui.

A imagem registrada por Daguerre, em 1838, é uma bem interessante. É possivel ver duas pessoas (veja a foto e o texto publicados pelo blog Uhull) e mais nada, além dos prédios. Ou seja, o processo utilizado para gravar a imagem foi o de longa exposição, cerca de 10 minutos. As duas pessoas são um homem que parou para engraxar o sapato e o próprio engraxate. Por terem ficado muito tempo, digamos imóveis, apesar da rua movimentada, foi o que o processo de captação de luz conseguiu registrar melhor. Bem interessante.

Recebi o link de Tiago Bizachi. Valeu mesmo. Fica aí o valor histórico e também o do conhecimento.