sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Estúdios do século 19

As duas imagens de hoje foram reproduzidas do livro "La Photographie Moderne" (Tradução livre: "A Fotografia Moderna") escrito em 1896 por Albert Londe. Nesta época, mais precisamente no século 19, os dois estúdios eram a tecnologia da época para um único objetivo. Melhor captação de luz e direcionamento dela para efeitos muito funcionais.  Tudo para um retrato perfeito.

Em Leme, não encontrei nenhum registro dos dois tipos de estúdios. Mas em Pirassununga, o estúdio para retratos chegou a existir. Como o da ilustração que segue o texto explicando como era a “tecnologia”. O estúdio era de Antonio Zerbetto, que buscou inspiração em sua terra natal, na Itália, para recriar um estúdio como o da ilustração.

Obs.: clique nas ilustrações para ampliar

Nota
Agradeço aqui, em especial, Reinaldo Zerbetto, neto de Antonio, que me cedeu o livro “La Photographie Moderne” para o estudo e enriquecimento de minha pesquisa.



Orientação variável

O primeiro é o ateliê de orientação variável. Sua função era simples. Um estúdio com trilhos. Sua vantagem era que se aproveitava toda a luz. Mesmo em determinadas horas do dia, o estúdio permitia uma luz mais suave ou então difusa, ou até mesmo dura. Neste caso, para suavizar e quebrar esta luz "dura", usava-se cortinas instaladas em todo a estrutura do ateliê, que era deito de vidro. Com este tipo de estúdio era possível fazer fotos de bustos ou peças e até mesmo para retratos.



 
Retratos

O segundo era para retratos, mas também servia para reproduções como no primeiro design de estúdio do século 19. O sistema era o mesmo e geralmente era construído no próprio foto do fotografo. E não móvel como no caso anterior. Mas as placas de vidro para uma maior entrada de luz era presente. Suas medidas, segundo o livro (La Photographie Moderne) variavam de um teto com 8 a 10 metros de altura e largura de 4 a 6 metros. Cortinas, tecidos também eram utilizados para proporcionar uma entrada de luz uniforme.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Primeira Fotografia em 1825 - Parte 2

Mesmo assim, o invento da fotografia é fruto de anos de experimentos e tentativas de gravar uma imagem por um processo totalmente diferente. Ainda no século 19, mesmo com a evolução da tecnologia da época, a gravura ainda era bastante utilizada e tinha como base a fotografia. Ainda na França, um livro escrito por Albert Londe sobre "La Photographie Moderne" (A fotografia Moderna), de 1896, já publicava inumeras informações e sobre a evolução de quase 60 anos de técnicas e modos de fotografar. Um material que é especifico para a época, no caso o século 19. Segundo a publicação do livro, a fotografia saia do artesanal e passava por um processo totalmente mecanico e matemático. E é o que vou trazer de informação a partir das próximas semanas.


Olha o francês ai

Nascido em 1765 em Chalon-sur-Saône, na França, Joseph Nicéphore Niépce teve uma educação confortável de classe média. Depois de seguir carreira no início de ensino e os militares, ele retornou à sua terra natal em 1801 para resolver e administrar a propriedade de sua família, Le Gras. Juntando com o seu irmão, Claude, em vários experimentos e inventos, ele adotou o manto de um cavalheiro com mentalidade científica.
 

A Primeira Fotografia em 1825

O registro da primeira fotografia aconteceu em 1825 pelo francês, Joseph Nicéphore Niépce. Mas seus primeiros experimentos fotográficos começaram bem antes, em 1793, e primeiramente o que se conseguia eram imagens que desapareceriam rapidamente. Tudo isso já com a utilização de quimicos para fixar a imagem. Abaixo, a imagem que o francês produziu por um processo de fixação e exposição luminosa. Acredita-se que a fixação levou em torno de 8 horas. O registro aconteceu porque ele havia deixado em uma chapa com emulsão próximo da janela de sua casa (segundo andar). E o que se vê é a luminosidade da rua, por isso, os muitos tetos das casas vizinhas. Observem.



Como foi isso?
Niépce revestiu uma placa de estanho com betume branco da Judeia que tinha como propriedade de endurecer quando atingido pela luz, e em 1826 expondo uma dessas placas durante oito horas na sua câmara obscura, conseguiu uma imagem do quintal de sua casa. Apesar da imagem não ter tons e não servir para litografia; foi considerada como “a primeira fotografia permanente do mundo”. Em 1827, Niépce foi a Kew – Londres visitar o seu irmão Claude levando consigo varias heliografias. No ano de 1829 substitui as placas de metal revestidas de prata por estanho, e escurece as sombras com vapor de iodo. Daguerre, com estas informações, em 1831 descobriu a sensibilidade da prata iodizada á luz, quando Niépce faleceu deixou a sua obra sobre as mãos de Daguerre. (fonte: http://www.scribd.com/doc/39164720/A-primeira-fotografia)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Matéria sobre o projeto em jornal

Sábado, o projeto foi destaque no jornal "Repóter Leme", da cidade de Leme. O assunto rendeu a capa do Segundo Caderno e mostrou alguns resultados da minha primeira semana de trabalho.

Respondendo alguns comentários, amanhã (26 de outubro) estarei na praça da matriz São Manoel, a partir das 9h30. Todos que estiverem interessados em participar deste meu projeto é convidado. No domingo, 31, estarei na praça novamente fotografando com o cenário, mais precisamente na saída de missa da matriz. Por volta das 8h até 10, 11 horas.

Abaixo, segue a publicação do Repórter Leme, matéria escrita pela Bel Parolim.

sábado, 23 de outubro de 2010

Retratos de sábado, 23 de outubro

Pessoal, hoje de manhã, apesar da chuva rápida, o projeto aconteceu novamente na praça da matriz São Manoel. O dia nublado contribui para um registro excelente e como sempre, figuras e personagens conhecidos de Leme.
Registrei 19 retratos. Desta vez mais atento a postura e correção do retratado. Busquei imagens e pesquisei sobre como eram os habitos para posar nestas fotos e o resultado ficou parecido com o que selecionei para o blog, logo mais abaixo, depois de uma curiosidade do século 19, do manual de bons modos do cavalheiro da época.

Curiosidade do século 19
"Um cavalheiro deve ajudar a uma dama a atravessar uma rua movimentada, ou a descer de um coletivo ou de um carro, sem esperar as formalidades de uma apresentação. Quando o serviço tiver sido realizado, ele deve levantar seu chapéu, saudá-la e seguir seu caminho.”
Manual de Formas Hill, 1873

Fotos de sábado, quinto dia de projeto na praça da matriz
Dia 23/10/2010







sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Projeto Lambe-lambe Digital na Praça

Pessoal, amanhã o projeto segue na praça da matriz São Manoel, no Centro de Leme.
Vou utilizar o cenário para compor as fotos, assim como todo o aparato do lambe-lambe.

Ontem, a entrevista para o programa Maiêutica foi ao ar pelo canal da TV Leme, apresentado por Lazaro Danodelli. Foi bacana a entrevista. Dividi o estudio com o presidente do Clube da Terceira Idade.

Amanhã, no Repórter Leme, também serei pauta no Segundo Caderno. com uma materia sobre meu trabalho e escrita por Bel Parolim.

Das fotos, o resultado está aparecendo e hoje publico mais uma, feita ao lado do monumento de Newton Prado.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Etimologia do Fotógrafo “lambe-lambe”

As primeiras seis décadas do século 20, nas praças era comum encontrarem-se encapuzados e quase fundidos à caixotes sobres tripés, verdadeiras maravilhas da síntese que unia a câmara ao laboratório, o fotógrafo lambe-lambe. Qualquer um deles orgulhava-se em dizer a marca da lente que usava. Era a essência do negócio.
Uma pesquisa feita por FRÓES, LEONARDO "Os lambe-lambe" – in Coisas Nossas Rio de janeiro, RJ/MEC/FUNARTE, 1978, revela que quem criou os chamados fotógrafos de jardim, “photographo de português” foi o rei. Em 17 de maio de 1911, a revista Fon-Fon publicava o anuncio: “Trabalhe por Sua Conta, que uma empresa de Nova York EUA anunciava prometendo lucros grandes e certos.
Era o tempo em que o fotógrafo ambulante tinha status. Os anúncios exibiam ao lado da maravilhosa “machina photographica” um sujeito elegantemente vestido de terno, gravata e chapéu de feltro.

Típico Lambe-lambe

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Olhar de Fotográfo - Entrevista 1

O material publicado hoje no blog é uma entrevista com o fotógrafo Reinaldo Donizeti "Pinga". Onde contará como foi o início da fotografia, digamos "Comercial", em Leme, mas que muito influenciou os primeiros estudios de foto na cidade. Casos curiosos como o filme 6x6, 120, incêndio "intrigante" no estudio do Nagata no passado, métodos de revelação e nomes de pessoas que começaram com a fotografia serão contados por ele. Nos próximos posts, enquanto não vou para a praça fotografar, me comprometo atualizar o blog com estas entrevistas e que farão parte deste trabalho de pesquisa sobre o começo da fotografia em Leme.
Para Pinga, os profissionais citados na entrevista eram considerados "heróis", pois abriram opções numa época em que o fotográfo era mais valorizado que o noivo e noiva em dia de casamento.

Fique agora com o audio da entrevista. Tem 7 minutos e foi gravada no Foto Playboy.
Da pra ouvir e trabalhar ao mesmo tempo, ou só ouvir mesmo.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O que é o lambe-lambe?

O fotógrafo lambe-lambe, também conhecido como fotógrafo de jardim, por utilizar muitas vezes um jardim para o fundo das fotos, é um profissional em extinção. Presente a partir do século 19 nos espaços públicos das cidades brasileiras, teve um papel importante na popularização da fotografia no Brasil.

Existem algumas explicações para a origem do termo: lambia-se a placa de vidro para saber qual era o lado da emulsão ou se lambia a chapa para fixá-la. Ou a origem pode estar ligada ao antigo processo da ferrotipia.

Projeto Lambe-lambe Digital

Senhores e senhoras,

Estou de férias e comecei um projeto de pesquisa e resgate cultural do fotógrafo de jardim ou o conhecido por lambe-lambe, típico do início do século 19. Para isso, recriei todo um ambiente de trabalho e técnicas - tecnologias disponiveis para a época - para realizar uma intervenção em pontos de grandes circulações de pessoas, como por exemplo, praças, cemitério em dia de finados, saída de missa e outros lugares.

O principal objetivo deste trabalho é registrar pessoas, tipos, personagens folclóricas e importantes que vivem em Leme. Uma forma de contribuir também para o registro histórico natural da sociedade contemporânea. Registrando o atual para que no futuro, isto sirva de material de pesquisa sobre Leme. O material fotografado será exposto, possivelmente em agosto de 2011, mês em que se comemora o Dia Internacional da Fotografia (dia 19) e o aniversário da cidade de Leme, comemorado dia 29.

Por isso, decidi resgatar por meio do fotógrafo de jardim, uma profissão em extinção para criar todo um ambiente de trabalho. Construi um caixote artesanal e nele, adaptei peças originarias de antigas câmaras fotograficas.  tripé que utilizo é  um dos utilizados nos anos 1940, assim como 2 cenários italianos, também utilizados em estudio e fotos externas dos anos 1940. Meu figurino também representa as mesmas vestimenta de um lambe-lambe do início do século. Alguns vestiam paletos. Eram bem apresentaveis pela época, pois era seu auge.

O sistema de trabalho também resgatei e tentei aproximar ao máximo do fotógrafo de jardim, o que inclui representação como ator deste personagem, o que influencia na fala. Uso também um pequeno varal para secar as fotos, como antigamente, aos pés do tripé. Levei para a intervenção também, um quadro de tecido de dois tons de cores para as fotos em 3x4 (serviço mais recente, prestados por lambe-lambe a partir dos anos 1950).

Abaixo, segue o resultado desta minha criação e intervenção.

 Primeiro dia de fotos na praça da São Manoel, Centro de Leme.
Equipamento e fotógrafo. Trajes da época (século 19)

Resultado não finalizado das fotos com o cenário