segunda-feira, 18 de abril de 2011

Fotopintura

A fotopintura é um processo inventado por André Adolphe Eugène Disdéri (1819-1889/90) em torno de 1863, a fotopintura é obtida a partir de uma base fotográfica em baixo contraste - que tanto pode ser uma tela quanto uma imagem sobre papel - sobre a qual o pintor aplica as tintas de sua preferência, geralmente guache, para o papel, e óleo, para as telas. Essa técnica apresenta a vantagem de dispensar a exigência de grande talento do pintor para o difícil gênero do retrato, transformando-o na maior parte dos casos num mero colorista, ao mesmo tempo que libera o cliente das fastidiosas sessões de pose exigidas pela pintura tradicional. (Fonte: http://www.itaucultural.ogr.br/)


Foto: Princesa Dona Leopoldina , ca. 1864 fotopintura. Fotografia de Insley Pacheco

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Projeto Lambe-Lambe em Recife e Olinda

Todos os anos, a cena se repete. Enquanto fervilham as ruas de Recife e Olinda, lotadas de foliões, uma equipe de fotógrafos arma a lona. Em plena confusão, monta um estúdio e se dedica a retratar a irreverência do carnaval pernambucano. Ao contrário da festa-espetáculo que é o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, a de Recife e Olinda lembra mais uma quermesse. O apelo à sensualidade não é tão grande. Mas, se a nudez nas ruas das duas cidades é pouca, criatividade é o que não falta. Pelo menos é o que mostra o Projeto Lambe-lambe, que está com exposição no Centro Cultural dos Correios, em Recife, revelando o lado lúdico do carnaval pernambucano.
Ao longo de 15 anos, os profissionais reuniram um acervo de 20 mil fotos, quatro mil das quais compõem a mostra “Vem ver o Lambe-lambe”, que fica em cartaz até abril, quando haverá projeções das imagens da versão 2011 da festa. Pelas lentes do grupo já passou de tudo: desde o anônimo folião fantasiado de dominó, Estátua da Liberdade, homem-barata, zebra, até figuras tarimbadas da festa, como o escritor Ariano Suassuna, o agitador cultural Roger de Renor, os músicos Chico Science (já falecido) e Fred Zero Quatro, o Negão Aldifas, como era conhecido nas ruas de Olinda um dos fundadores do Bloco Segura a Coisa. Na exposição, ele aparece abraçado pela Mulher do Dia, boneca gigante que caracteriza o carnaval da cidade histórica.

A exposição comprova que qualquer tema pode render uma fantasia. Personagens clássicos do cinema — como Carlitos ou o Mágico de Oz — sempre aparecem. Símbolos ou ícones de outros países, como a Estátua da Liberdade, também não ficam para trás. Super-heróis povoam o imaginário popular, sejam de Hollywood — como o Coringa — ou da caatinga, como Lampião e Maria Bonita. Personagens da festa, com manifestações que praticamente só aparecem em Pernambuco — como os caiporas e as la ursas —, também são abordados. Com a silhueta deformada, os caiporas são a marca registrada do carnaval da cidade de Pesqueira, localizada a 215 quilômetros da capital, que vez por outra invadem as ruas de Recife. As la ursas também são originais de Pernambuco, mas a irreverência as transforma em personagens movidas a ironia. Viram “ursos de madame”. A palavra urso, em Recife, tem outra conotação: significa “Ricardão”. Por esse motivo, a figura folclórica das la ursas termina virando “ urso” em algumas das imagens captadas pelo grupo. Símbolo do frevo, a sombrinha colorida também permeia as fotos. Assim como personagens políticos, sejam locais ou do Oriente Médio.

O Lambe-lambe teve início nas ruas de Olinda. Foi idealizado pelos fotógrafos Breno Laprovítera, Jarbas Júnior, Roberta Guimarães, Fred Jordão e Daniel Berinson. Do grupo original, só os dois primeiros permanecem no projeto, que atraiu outros profissionais, como Xirumba (aquele mesmo da música de Alceu Valença) e Arnaldo Carvalho. Atualmente o projeto marca presença nas ruas de Recife. Segundo Breno, nesta década e meia, o Lambe-lambe documentou casais que formaram família e continuam passando pelas lentes do grupo, agora com os descendentes devidamente caracterizados.

— Podemos dizer que temos a história da família pernambucana através da fantasia — conta Breno, que pretende publicar um segundo livro com as melhores fotos do projeto, que rendeu uma edição em 2002.

Durante o carnaval, aliás, foliões podem comprar as fotos instantâneas feitas pelo grupo.

— No ano passado, tivemos que importar material do México, mas em 2011 nos antecipamos e trouxemos 80 caixas, 800 chapas, de São Paulo — afirma ele.

As fotos são feitas no estúdio montado pelo grupo, geralmente lonas decoradas por artistas plásticos locais.

— O carnaval de Pernambuco tem uma coisa fantástica que é o dom da improvisação, da fantasia feita pelo povo. Daqui a 30 anos, quando este material for analisado, veremos quem são os nossos verdadeiros heróis, as la ursas, Lampião, Maria Bonita, Antônio Conselheiro — diz Xirumba.

Para Jorge du Peixe, vocalista da banda Nação Zumbi, o projeto reúne um arquivo único das histórias e da alegoria do carnaval pernambucano. A fotógrafa Yvone Bezerra de Mello afirma que o trabalho hoje já faz parte daquela que é a festa mais popular do estado:

— Inovador, criativo, divertido e revelador, contando a nossa história. A iniciativa virou uma tradição e não consigo imaginar o carnaval sem o Lambe-lambe — diz.