segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O surgimento do termo “lambe-lambe”

No século 19, o processo de revelação era bem convencional e tratava-se de processos químicos. Sem contar o tempo em que o papel fotográfico com emulsão permanecia no quimico. Tudo isto num período em que o conhecimento para uma boa imagem era essencial, ou seja. Para revelar era necessário entender que qualquer feixe ou pingo de luz poderia afetar todo o processo de revelação. Foi diante deste processo, que o termo lambe-lambe nasceu, descrito nas linhas a seguir.

Processo de revelação
A imagem fotográfica convencional é uma imagem de Prata. As emulsões que compõem as películas dos filmes e fotografias, são à base de sais de Prata, sensíveis à luz. O material fotográfico quando sensibilizado na retina de uma câmara fotográfica e submetida à ação de um revelador, transforma-se em Prata metálica. Essa estrutura de Prata metálica varia em tons de cinza que vai do preto ao cinza-claro, para a fotografia em preto e branco, proporcionalmente à intensidade de luz recebida pela emulsão durante a exposição.
Para se obter uma fotografia convencional, o processo de revelação, fixação e lavagem são essenciais. A revelação – ocorre quando a película é submetida à solução alcalina, agente capaz de transformar os sais de Prata sensibilizados pela luz em Prata metálica.
A fixação – ocorre quando a película revelada é submetida a uma solução ácida de Hiposulfito de Sódio, agente que em contato com um sal de Prata tende a formar um Tiossulfato de Prata, decompondo-se rapidamente em Sulfeto de Prata e ácido sulfúrico. Sem a fixação a vida útil de uma fotografia fica reduzida a poucos minutos.


Exemplo de uma fotografia de "lambe-lambe" obtida em 1914. Santa Cruz do Capibaribe-PE

Características que conduziram ao termo

Os Tiossulfatos complexos de Prata têm sabor doce; o Tiossulfato de Sódio é amargo; o Tiossulfato de Prata tem sabor metálico desagradável.
A fixação consiste na formação de complexos de tiossulfato solúveis, que serão eliminados durante a lavagem da fotografia. Se a fixação tiver sido completa, os sais doces solúveis serão eliminados facilmente na lavagem. Esse processo tornará o tempo de vida útil da fotografia indeterminado. Caso contrário, os sais amargos insolúveis bem como os de sabor metálico não poderão ser eliminados. Neste caso, a vida da fotografia estará seriamente comprometida.
As circunstâncias do Saudoso Fotógrafo exigiam tempo mínimo de lavagem e mínima quantidade de água. Portanto, para garantir a qualidade do trabalho, eles tocavam a língua nas fotos durante a lavagem para avaliar a qualidade da fixação e da própria lavagem. Os clientes e passantes que viam aquela cena não podiam entender por que aquele homem a cada instante “lambia” as fotografias. (JSF-Fructuoso) (FONTE: wikipedia.org)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Marketing impulsionava a popularização da estereoscópica no Brasil

“O Brasil só vai fumar / cigarros marca Veado / pita, pita, devagar / se é chic ou pé-rapado”
Principal jingle de cigarros que circulava no final do século 19 da marca “Veado”.

Até Papai Noel não escapava do marketing da "Veado"
 Bom, como o assunto rendeu um dos posts mais lidos pelo Blog, fui atrás de mais curiosidades sobre este momento frenético da fotografia tridimensional – e diga-se de muito glamour – estereoscopia. Então vai lá...
Fundada a partir de 1900, pelo emigrante português José Francisco Corrêa, conhecido também por “Conde de Agrolongo”, a marca foi bastante conhecida, ganhou reconhecimento rápido, mas desapareceu da mesma forma. Por outro lado, soube explorar muito bem seu marketing sendo uma das companhias pioneiras a publicar cromos (fotos estereoscopicas) e figurinha de colecionar. Tudo isso tem um motivo. Aproveitar o frenesi desta técnica fotográfica inovadora – o clímax secular da estereoscopia mundial se deu entre 1855 e 1955.
Sim, no Brasil, após se instalar no Rio de Janeiro, a indústria de cigarro foi uma das que difundia este processo de estereoscopia no país. Isso incluía até a distribuição do visor “3D” para visualizar as imagens do carioca fotografo amador, Guilherme Santos (1871-1966), que mais de meio século se dedicou a esta técnica, fotografando os principais eventos do Rio de Janeiro, incluindo o voo do Graf Zeppelin, tudo isso pelo processo da estereoscopia.

Confira algumas das fotos que Guilherme Santos publicou AQUI
Ora, pois é?
Bom, o fim dos Fumos Veado se deu com outro tiozinho também imigrante de Portugal e que fundou uma das principais industrias deste setor, o tabaco, o senhor Albino Souza Cruz (dúvidas?rs)
Albino Souza Cruz emigrou em 15 de novembro de 1885 para o Brasil, aportando no Rio de Janeiro. Ele foi funcionário por dezoito anos na Fábrica de Fumos Veado, de propriedade do Conde de Agrolongo. Mais tarde essa fábrica seria absorvida pela sua própria indústria.

Curiosidade
As primeiras coleções de figurinhas e cromos editados no Brasil datam do final do século XIX. Colocados como brindes em carteiras de cigarros, foram utilizadas como marketing promocional pelas companhias Grande Manufactora de Fumos e Cigarros Veado ( José Francisco Corrêa & Cia – Rua da Assembléia nos 94 a 98 – Rio de Janeiro ), Souza Cruz e Sudam, basicamente no eixo Rio – São Paulo. Os protagonistas do movimento republicano até 1900, os animais do jogo do bicho, e as artistas de cinema, teatro, e cabaré, foram os temas prediletos das coleções. Além da grande maioria das estampas ou cromos apresentarem cuidadoso tratamento gráfico, o fato de algumas coleções completas darem direito a prêmios estimulou ainda mais o interesse por elas, o que é possível observar através de inúmeros anúncios de jornais daquele período, onde produto e respectivo brinde são divulgados com idêntica importância. (Leia mais direto na FONTE)

Para quem quiser ouvir um jingle da época dos cigarros da marca Veado, acesse AQUI

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Retratos da praça São Manoel - Monumentos

O projeto ainda segue com os retratos na praça.
Hoje, mais dois retratos. Um foi registrado no jazigo monumental de Newton Prado e o outro no monumento que comemora o centenário da independência do Brasil, ambos na praça da matriz de São Manoel em Leme.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Acrescentando a terceira visão - As fotos estereoscópicas


cartão de foto estereoscópica
Pesquisando um pouco das possibilidades da fotografia no século 19, achei algo bem interessante. As televisões que vemos hoje e exploram a "terceira dimensão" ou a realidade 3D, mesmo ainda parecendo algo novo e recente não é um assunto tão, digamos, de última geração. Mas, sim, um principio muito mais relacionado ao nossos olhos e como processamos as informações pelo globo ocular. Coisa científica. Constatada a partir dos estudos de visão binocular desenvolvidos no passado pelos italianos Giovanni Battista della Porta (ca.1542-1597) e Leonardo da Vinci (1452-1519). Outros estudos são atribuidos aos estudiosos El-Hazem e Archimedes.
Hoje, quem for comprar alguma camêra compacta digital já vai encontra algo no mercado com este tipo de visão estereoscópica.

Bom, mas e no século 19?. Calma. No parágrafo acima expliquei que a questão da possibilidade de ver algo "tridimensional" ou uma imagem com mais "volume" já era estudada. Mas foi em 1833 que a técnica da "visão em volume" foi fisicamente demonstrada pelo cientista e inventor inglês, que viveu em Pariz, Sir Charles Wheatstone. Por outro lado, a invenção do aparelho estereoscópio prismatico coube ao também inglês, David Brewster (1781-1868), anos mais tarde, em 1844. Brewster foi o responsável pela popularização e difusão da fotografia estereoscopica. 


O frenesi da nova moda
A partir de 1860 a coisa se transformou em uma nova moda fotografica nos paises europeus e nos Estados Unidos.Ou seja. Todo apaixonado pela arte da fotografia, pessoas da classe média e colecionadores queriam uma foto estereoscopica. Já os visores estereoscopicos tinham modelos bem distintos. Os que eram considerados de luxo, tinham tripé. Já os normais, modelos mais comuns e baratos eram segurados na mão.


modelo mais comum de visor


O que é a fotografia estesreoscopia?
A estereoscopia é a mais nobre das técnicas fotográficas. Baseia-se na visualização de um objeto a partir de dois pontos de observação próximos, que chamamos de paraaxiais    isto é, com "eixos vizinhos". Estereoscopia é também uma palavra composta de nomes gregos stereo e skopia que significam  ”visão em volume”.






No Brasil
Modelo de luxo
Apesar do Brasil estar no pioneirismo da fotografia com os trabalhos de Hercule Florence - temos também D. Pedro II como grande fomentador das artes fotográficas - a estereoscopia só chegou ao Brasil em 1855 com Evert Henry  Klumb, que se tornou professor de fotografia da Princesa Isabel . Trabalhou para a corte até 1880.
Em menor ênfase, outros fotógrafos também cooperaram neste início  para o nosso acervo histórico estereoscópico. São eles: H. L. Hehl e outros tais como, F. Basto, Alfredo E. Santos, Archanjo Sobrinho, J. J. Kilelea. E posteriormente  Rodrigues & Co, Otavio Mendes de Oliveira Castro, Guilherme Santos, entre outros. Como curiosidade e ao mesmo tempo conotação histórica, também citamos o Conde de Agrolongo o industrial português  José Francisco Correia que difundiu o conhecimento da estereoscopia a grandes massas através de figurinhas e cartões distribuídos nos “Cigarros Veado” de sua manufatura.

Conheça como foram feitas e onde aconteceram as primeiras imagens. Além de conhecer um pouco sobre como a fotografia estereoscopia. Acesse aqui

Faça o experimento pelo próprio monitor. Com um espelho e seguindo as instruções deste site, você pode conferir um pouco do que é esta tal "visão em volume". Quero experimentar!


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Poema "A Esfinge", uma luz sobre a cidade chamada Leme

Dia 28 de outubro, o Circuito Sesc de Artes passou por Leme, onde desenvolveu diversas manifestações artístisticas e oficinas (teatro, circo, música, dança e video). Por onde o Circuito passa, Um escritor, poeta acompanha a caravana, escrevendo sobre cidade, seja por meio de uma crônica, poema ou registro com fotos.
 
Fui lembrado quando o Sesc passou por Leme e tive uma pequena homenagem, com um poema, em reconhecimento ao Projeto de Pesquisa e Resgate Cultural do Fotógrafo de Jardim (século 19), que desenvolvo em Leme.
 
No poema, que remete muito do que acontece em Leme, o poeta faz um texto crítico e bem assimilado sobre a cidade. Pelo pouco tempo que teve para se abastecer de informações sobre Leme, absorveu muito bem o ritmo de Leme e registrou poéticamente.
 
Sobre o Circuito Sesc de Artes e poemas de outras cidades e textos escritos por outros poetas e escritores
 
Confira a dedicatória que o poeta e filósofo Paulo Nunes fez aqui com o nome de "A Esfinge"
 
Paulo Nunes escreveu também sobre Leme, Avenida da Saudade, Sermão em LemeUlisses e a Fábrica
 
A seguir e na integra, o poema sobre Leme "Esfinge"
 

A ESFINGE

(Ao jornalista e fotógrafo Ricardo Missão)

Leme é uma fronteira agrícola e cidades assim – e eu conheço uma delas muito bem – são indecisas: andam descalças e de avião.
Gostam de cavalos e bois, mas entopem suas ruas de automóveis.
Gostam de pescar e brincar na água, mas matam os seus rios.
Voltam todos os dias do campo para o barulho das ruas e avenidas.
Misturam pedestres, bicicletas e automóveis (o que não dá muito certo).
Dão, um pouco contrariadas, a um raizeiro a chance de sobreviver.
E é possível, numa moderna avenida, sentir o mau cheiro de um galinheiro.


Leme é uma cidade nova, que se enriquece e se expande.
Cidades assim – e a única que eu conheço muito bem é assim – não gostam de cultuar sua memória: destroem-na, como Leme fez com quase todo o seu patrimônio histórico e até com a Matriz de São Manoel.
Depois, constroem outros edifícios, outras casas, uma nova Matriz, nem sempre à sua imagem e semelhança, mas se esforçam para andar com estes sapatos novos. E andam.
Cidades assim já não têm matriz, mas um hangar onde Deus aterrissa.


Leme há muito tempo descobriu a felicidade e a propaganda.
E cidades assim têm fábricas de fogos de artifícios, pois comemoram muito (e a única que eu conheço muito bem é assim).
Embora originais e férteis, ricas em suas idiossincrasias, cultuam a monocultura e uma só praga, que um dia, talvez, devastará tudo, e apenas um significado para a palavra Cultura.
Seus habitantes são pessoas simples, diretas, caladas, plenas do silêncio de um vasto horizonte hoje inteiramente colhido e plantado, mas a palavra “caipira” ficou curta, já não as vestem.
Cidades assim estão prenhes de mãos calosas, duras, operando as mais sutis invenções e aparelhos.
E se são planas, de fácil expansão horizontal, esquecem os quintais e querem edifícios.
Repetem seus nomes, e quanto mais os repetem, maiores pensam que ficam. E assim de fato é.
E constroem novos cemitérios e os põem longe do centro.
E constroem bairros para os trabalhadores, cemitérios também distantes.


Leme, como aquela outra cidade, nasceu de um alforje cheio de sementes.
Cidades assim derrubam suas matas e plantam na praça, ritualmente, um jequitibá.
Lutaram muito com as árvores, por isso não gostam de tê-las soltas pelas calçadas, preferem prendê-las nalgum parque.
E por motivos iguais também gostam de zoológicos.
Cidades assim têm seu entorno todo arado – ou é tudo canteiro de obras?
Suas indústrias germinam, sua agricultura fabrica.
E não são pequenas nem grandes: são a própria classe média.
Têm um grande comércio – tudo nelas é comércio – e muitos bancos, comandando um exército de carros-fortes.
E vão de caminhonete aos bailes e casamentos.


Cidades como Leme gostam de se ver e inventam seus próprios espelhos.
Constroem pequenos monumentos a grandes acontecimentos, o que, como tudo que há, quer dizer alguma coisa.
Têm suas praças cheias de velhos, tão invisíveis quanto seus monumentos.
Misturam à argamassa de sua estrutura um grande ruído de crianças na escola.
E se nasceram de estradas importantes, nunca estão na origem destas estradas.
Cidades assim, à beira da estrada, estão a meio caminho de tudo.
E aprendem de gente adulta que passa algumas palavras novas: desenvolvimento, progresso. E as repetem, repetem…
Mas são cidades que ainda sabem de onde vem o que comem, e que se sentam à mesa e conversam.
Têm pouco mais de cem anos e se instalam no milênio.
E, não querendo mais lembrar, ponderam o futuro e sua possível roça.


Não se sabe bem porque, mas muitas pessoas que nascem em cidades como Leme um dia se mudam para longe, de onde as recordam, e de vez em quando tentam voltar, e voltam sempre, em pensamento.
Pois cidades assim também crescem nos seus habitantes mais distantes.
E, mistério maior ainda, às vezes produzem, além de grãos, farta lavoura de suicidas.
E se foram construídas sobre o campo e continuam a ser, infinitamente, edificadas sobre si mesmas, sob seu asfalto há capim e cercas.
Cidades assim são áridas e se querem espelhadas, porém mantêm em sua praça a velha Fonte.
E quanto mais áridas, mais parecem submersas.
E em suas ruas ainda passa, invisível, driblando o trânsito, um solitário boi.
Cidades assim, enfim – e se eu conheço uma muito bem, nunca a entendi – são verdadeiras esfinges: cheias de rodas, assentam-se sobre suas velhas patas, preparam as asas e o impulso – e nos fitam, imóveis.


(Paulo Nunes é graduado em filosofia pela USP, onde exerce, também a profissão de livreiro. Como letrista, com diversos parceiros, coleciona mais de uma centena de canções.)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Estúdios fotográficos do século 19

Havia dito semana passada que em Pirassununga existiu um estúdio de vidro (clique aqui para saber), de propriedade de Antonio Zerbetto (hoje Stúdio Zerbetto, administrado pelas filhas de Reinaldo Zerbetto, o neto). O prédio existe até hoje em Pirassununga e é o prédio comércial mais antigo do município. Atualmente as atividades do Studio Zerbetto (http://www.studiozerbetto.com.br/) estão em outro estabelecimento. Um maior para poder atender seus clientes.

Reparem no canto esquerdo superior as placas de vidro. Ao centro, Antonio Zerbetto, o pioneiro em Pirassununga.

Segundo Reinaldo Zerbetto, o estúdio era uma tecnologia trazida da Itália por seu avô, que chegou em 1915 e se tornou referência no ramo da fotografia. Em Leme, cidade vizinha, a família Zerbetto também foi pioneira no ramo. Não com Antonio, mas outro membro da família. Se for contar mesmo a história da familia Zerbetto, o assunto vai longe. E foi ao lado deste mesmo estúdio fotográfico da família Zerbetto, que funcionou a primeira central telefonica, cujo projetista foi Antonio Zerbetto. A planta existe até hoje e já tive a oportunidade de ver.

Foto do fotógrafo que fotografou o fotografado

A foto de hoje foi registrada por Jorge Costa, apaixonado também por fotografia da cidade de São Carlos, que estava passando por Leme com o pessoal do SESC São Carlos, na "Ação Cultural do SESC".


É uma de bastidor e dá pra se ter uma boa ideia de como é realizado a intervenção na praça da matriz da São Manoel. Se quiser, aqui da pra ver como ficou o resultado de toda esta "fotografada".


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A foto do engraxate pelo "daguerreótipo"

Para quem curte fotografia, foi em 1838 que Daguerre consiguiu a primeira imagem de pessoas numa foto, no Boulevard du Tempere, Paris. Foi com esta mesma imagem que ele se consagrou "pai da fotografia", com o "daguerreótipo" ao utilizar as mesmas técnicas de Joseph Nicéphore Niépce: a longa exposição sobre uma chapa de metal.



O curioso, como aponta o site fonte, o "The Hokumburg Goombah", é de que a foto teria sido feita em 1838. Isso muito depois de percusor da fotografia no Brasil, Hercule Florence, também francês mas morando no país, ter feito em 1832/1833, o primeiro registro e escrito sobre o processo de gravação de uma imagem por meio da luz, utilizando uma câmera escura. Leia aqui.

A imagem registrada por Daguerre, em 1838, é uma bem interessante. É possivel ver duas pessoas (veja a foto e o texto publicados pelo blog Uhull) e mais nada, além dos prédios. Ou seja, o processo utilizado para gravar a imagem foi o de longa exposição, cerca de 10 minutos. As duas pessoas são um homem que parou para engraxar o sapato e o próprio engraxate. Por terem ficado muito tempo, digamos imóveis, apesar da rua movimentada, foi o que o processo de captação de luz conseguiu registrar melhor. Bem interessante.

Recebi o link de Tiago Bizachi. Valeu mesmo. Fica aí o valor histórico e também o do conhecimento.

Fotos de 28 de outubro de 2010

A seguir mais alguns retratos feitos na praça da Matriz São Manoel, em Leme. Desta vez utilizei o cenário de praia para as fotos.

Pelo balanço das fotos é legal notar bem as feições das pessoas fotografadas, trazendo as mesmas posturas do século 19. O resultado é sempre um rosto sem muita expressão e um "ar" de frieza.

Entre os retratos postados hoje, está o de um grupo de cantores, dirigido pelo maestro Douglas Lopes de Moraes.

Confira alguns retratos.Para ampliar alguma das fotos, basta clicar em cima delas




segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A descoberta isolada da Fotografia no Brasil

Falar em fotografia, ou melhor, estudar o começo da fotografia é retornar ao século 19 e entender um pouco do que aconteceu nesta época tão vislumbrada para a França. E por falar nisso, o Brasil, sim, teve um papel muito curioso e isolado, por volta de 1833, poucos anos depois da gravura da primeira imagem lá na França. O pioneiro do estudo da fotografia aqui é creditado a Antoine Hercule Romuald Florence. Apesar de francês, teve uma vida recheada de invenções no Brasil. Chegou com sua família por volta de 1820, no Rio de Janeiro, mas viveu mesmo em Campinas, na época "Vila de São Carlos".

E foi também neste mesmo século (19) que os franceses inventaram o cinema, pelas mãos e aperfeiçoamento da técnica pelos Lumière, em 1895, na capital Paris. E também não é de assustar que a França é considerada o centro das Belas Artes.

Ambas as técnicas eram bem parecidas e vou explicar. Todo o invento da gravação de uma imagem por meio de luz, em 1825/26 por Joseph Nicéphore Niépce e depois anos mais tarde abraçada e continuada por Daguerre em 1831, foram a materia prima para que os irmão Lumière pudessem fazer o que foi chamado na época de "foto em movimento". E garanto que ambas as invenções tiveram um impacto muito forte no modo de viver daquelas pessoas. Na minha opinião um salto, não apenas pelo lado científico, mas também para o campo da antropologia visual.

O inventor "isolado" da fotografia brasileira


Antoine Hercule Romuald Florence, conhecido como Hércules Florence, (Nice, 29 de fevereiro de 1804 — Campinas, 27 de março de 1879) foi um inventor, desenhista, polígrafo e pioneiro da fotografia franco-brasileiro.
Desde pequeno Hércules Florence demonstrou possuir notável talento para o desenho. Ao ler Robson Crusoé, de Daniel Defoe, apaixonou-se pela vida no mar. Em 1820, com apenas 16 anos, tornou-se grumete. Esteve em Mônaco, na Holanda e na Bélgica. Em 1824 chegou ao Brasil a bordo da fragata Maria Thereza, aportando no Rio de Janeiro. A fragata ficou estacionada um mês e seguiu seu trajeto, porém sem o jovem Florence, que se fixaria no Brasil por toda a vida. Obteve emprego, inicialmente, como caixeiro numa casa de roupas, transferindo-se, logo a seguir, para o estabelecimento de outro francês, Pierre Plancher, proprietário de uma livraria e uma tipografia.


Primeiras invenções: a Zoofonia, a Poligrafia e a Fotografia ou "Photographie"
Pretendendo publicar um estudo que fizera sobre os sons emitidos pelos animais, produto de suas observações anotadas na selva durante a expedição (o qual intitulou "zoophonie"), deparou com a inexistência de oficinas impressoras na Província de São Paulo. Decidiu então idear seu próprio método de impressão, a Poligraphie, e em 1832, já se encontrava estabelecido comercialmente oferecendo ao público seus escritos e desenhos, além de manter, ao mesmo tempo, uma loja de tecidos. Observando o descolorimento que sofriam os tecidos de indianas expostos à luz do sol e informado pelo jovem boticário (e futuro botânico de nomeada) Joaquim Correia de Melo das propriedades do nitrato de prata, deu início às suas investigações sobre fotografia. Suas primeiras experiências com a câmera obscura datam de janeiro de 1833 e encontram-se registradas no manuscrito Livre d'Annotations et de Premier Matériaux. Mais de 150 anos depois, o exame detalhado desse manuscrito por Boris Kossoy levou-o a comprovar o emprego pioneiro de Florence da palavra "photographie", pelo menos cinco anos antes que o vocábulo fosse utilizado pela primeira vez na Europa. (fonte: wikipedia)

Leia o livro: Hercule Florence: A descoberta isolada da Fotografia no Brasil
Para ter acesso ao material escrito por Kossoy, basta acessar aqui e ler parte do livro, incluindo as primeiras anotações de Florence (procurar pelo menu "conteudo" na própria página em "Anotações de Hercule Florence relativas à Fotografia"). O livro ainda relata um pouco da vida de Florence e suas invenções, além de importante papel no ramo da tipografia. Expedições também abastecem de conteúdo o livro.